A Campanha

A nova campanha da Comissão Nacional das Comissões de Direitos Humanos do Sistema Conselhos de Psicologia será lançada no VII Seminário Nacional  Psicologia e Direitos Humanos.

O questionamento  “ Em nome da proteção e do cuidado, que formas de sofrimento e exclusão temos produzido?” será o tema da campanha, que tem como objetivo fazer com que a sociedade reflita sobre as formas veladas e sutis de violações que gera em nome da proteção e do cuidado.

Mais do que voltar o foco para a exclusão, a campanha busca atentar a sociedade para as possibilidades de proteção e cuidado que não provocam o isolamento.

 

Veja a seguir texto elaborado pela Comissão Nacional de Direitos Humanos sobre a Campanha:

Em nome da proteção e do cuidado, que formas de sofrimento e exclusão temos produzido?

Não existe “a” psicologia, mas práticas de psicologia. Práticas, sempre políticas. Práticas que produzem determinados lugares e fisionomias ao mundo em que vivemos. Com a violação de quais direitos nos indignamos e com a dor de quais humanos nos solidarizamos? Quais são, enfim, os mecanismos subjetivos através dos quais se produzem as legitimações ou invalidações das práticas sociais que, como tais, favorecem ou mutilam os direitos humanos, patrocinando discriminações ou identificando-se com a ampliação dos direitos e das autonomias dos sujeitos? E quando o argumento para tais violações se baseia na proteção e no cuidado? De que modo nossas práticas “bem intencionadas”  produzem – sutil e sorrateiramente – formas de exclusão?

Ao propor como tema para a campanha das comissões de direitos humanos “Em nome da proteção e do cuidado, que formas de sofrimento e  exclusão temos produzido?”, pretende-se pensar a relação que se tem estabelecido entre as práticas ditas de proteção e de cuidado e os movimentos de controle e aprisionamento da vida, tão presentes no contemporâneo. O que se produz em nome do cuidado? Qual é a nossa implicação diante de tais práticas?

O objetivo de tecer estes questionamentos e críticas acerca do fazer cotidiano profissional, não é colocá-lo na ordem da intencionalidade, mas remeter a urgência de um posicionamento crítico sobre esse fazer. Aqueles profissionais que apenas reproduzem lógicas estabelecidas, por mais bem intencionados que estejam, utilizam de seu poder para enfraquecer e proibir o discurso do sujeito sobre si mesmo, e em troca, oferecem-lhe um rótulo, respaldado por uma ciência dita neutra e asséptica.

Uma poesia, de um poeta-psicólogo, que prematuramente nos deixou, talvez possa nos inspirar:

“Éramos loucos feitos de bandidos.
Éramos bandidos feitos de loucos.
Fomos crianças e nos disseram infantis.
… Fomos infantis e nos disseram crianças.
Éramos pedintes e nos fizeram mendigos.
Éramos apaixonados e nos disseram carentes.
Falaram por nós.
Falaram sobre nós.
Falaram no nosso lugar.
Falaram e nos silenciaram.
Fomos pesquisas e nos fizeram notícia.
Fomos diplomas e nos deram profissionais.

Para finalizar, uma reflexão:
Se sujeira nada mais é do que matéria fora do lugar, o que está fora do lugar depende apenas do nosso ponto de vista.

 

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